O Discípulo Amado
70 x 50 cm
Acrílica sobre tela
Vendido
São poucos os homens e mulheres que se dizem serem “amados por Jesus” nos Evangelhos.
O “discípulo amado” aparece pela primeira vez em João 13, na “hora” de Jesus, no momento crítico da Ceia, da traição, da entrega. Geralmente nos dizemos amados por alguém quando sentimos seu afeto, ou em algum momento “glorioso”, vitorioso, alegre. Não ele. O discípulo que se diz amado aparece na hora mais escura, mais desafiadora para Jesus.
Não é um paradoxo?
Outro fato curioso. Ele “se reclina sobre o peito de Jesus” (Jo 13, 25) por ordem de Pedro. Sempre imaginei essa cena com um certo estranhamento. Quem se reclina sobre o peito de alguém? Quando quero saber algo, me aproximo, falo baixo, mas não me “reclino”. Se reclinar sobre o peito, do jeito que imagino, requer muita, muita intimidade. Ainda mais, porque não é Pedro – a autoridade – quem se reclina? Porque não é ele o “discípulo amado” (apesar de também ser amado).
Não pretendo dar respostas. Essa é uma pintura fruto de muitas perguntas.
Que segredo é esse de São João? Há algo aí. Que grande mistério é esse sobre o discípulo que de fato irá “beber o cálice” (Mt 20, 23) do Mestre, o único que permanecerá diante da Cruz, enquanto todos os outros fugiram?