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Mateus 25

200 x 100 cm
Acrílica sobre tela

Vendido

Vejo um homem deitado num banco de praça. Na verdade, nesse dia, devo ter visto ao menos cinco. Já faz parte da nossa paisagem. A gente se protege e vira o rosto no carro. Não encaramos o que está na nossa cara: uma grande incongruência humanitária. E todos nós somos responsáveis. E todos nós podemos fazer mais, sempre.

Até que um dia, vejo uma senhora na rua, pele e osso, imunda, andando destemidamente na contramão entre os carros, fazendo dezenas de motos buzinarem. Tomo um susto. Olho para ela e vejo…minha mãe. As mesmas feições, o mesmo olhar fundo e o rosto fino. Então, como um trovão, recebo de Deus a graça do incômodo, da vergonha e da angústia. Volto para casa e minha mãe, a quem eu amo profundamente, dormirá na rua. A comoção me move, e tomo providências, poucas que sejam naquele momento. 

Ou então, é como esse homem no banco. Jesus eleva à décima potência nossa vergonha na cara junto com nossa capacidade de amar. Esse homem, sozinho e abandonado, sou eu, existencialmente. “Não, Cláudio, não pare aí. Este sou EU”, me diz o Homem que sigo. E O é. Crucificado num banco de praça. Ignorado por multidões. Pensar e se angustiar com isso é o que me moveu e me move até hoje a…fazer qualquer coisa. A fazer mais e…melhor. 

Se é o Cristo, devo não somente admirá-lo, mas amá-lo. Devo olhar para aquela cena e me inquietar interiormente, especialmente se eu já estou na fase de que “é paisagem comum”. Cristo, dormindo num banco de praça, nunca pode se tornar comum dentro de mim. Isso que me fez pintar esse quadro.