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Já vai?

120 X 90 cm
Acrílica, carvão e giz sobre tela

Disponível

A Senhora acorda antes de todo mundo, prepara o café e põe o pão na mesa. O Menino vai despertando com o barulho da “cozinha”, se espreguiça e se senta da cama de palha. Escuta que o pai acordou e conversa algo com sua Mãe. Se anima como quem levou um choque: hoje vai trabalhar com o ele na marcenaria. Corre para a cozinha e apressado abre a porta da sala enquanto a mãe varre alguma coisa:

– Já vai? – pergunta ironicamente a Mãe.

O Menino olha e sorri, e volta a olhar pra fora como quem anseia por algo. A Mãe apoia a vassoura na parede com uma delicadeza litúrgica e se abaixa ao lado do Filho:

– “Bom dia, bença.”
– Bom dia, bença, Mãe! – diz beijando sua mão e voltando a olhar para fora.
– Fiz pão quentinho. – fala a Mãe como quem chantageia.

O Filho olha devagar, sorrindo largamente. Corre para a mesa e começa a comer. O pai aparece à porta fazendo sinal de pressa. O menino engole o último pedaço e corre para se vestir. Os dois se despedem e seguem caminho, enquanto a Mãe olha pela porta até eles sumirem na estrada por trás da paisagem seca. Ela sente algo, uma mistura de angústia e saudade, quase como uma premonição do inevitável. “Já vai?”, ela pensa. “Já, mas ainda não.”

E Ele vai crescendo e ela sumindo. Ela ficando e Ele indo. Sua sina, a sina de todas as mães, condensada num instante.